
Os tipos de úlceras diabéticas dividem-se principalmente em neuropáticas, causadas pela perda de sensibilidade e pressão mecânica, e isquêmicas, resultantes da má circulação sanguínea. É indicado para pacientes com feridas que não cicatrizam, oferecendo critérios diagnósticos para identificar a causa da lesão e direcionar o tratamento correto para evitar a necrose e a amputação.
Revisão Médica: Dr. Roberto Alves Lima (CRM 9264-DF)
Nem toda ferida no pé de um diabético tem a mesma origem. Embora o excesso de glicose seja o denominador comum, o mecanismo que impede o fechamento da pele varia drasticamente. Entender se o problema é o “fio” (nervo) ou o “cano” (artéria) é a chave para o sucesso do tratamento de úlceras no pé diabético e para a preservação do membro.
Diferenciando as Lesões:
- Úlcera Neuropática: A ferida da falta de dor
- Úlcera Isquêmica: O sinal da má circulação
- Úlcera Neuroisquêmica: O maior desafio clínico
- Tabela: Como identificar a sua ferida em casa
- Exames para diferenciar os tipos de úlcera
- FAQ: Perguntas Frequentes
Úlcera Neuropática: A ferida da falta de dor
A úlcera neuropática é a forma mais comum. Ela ocorre porque o diabetes “desliga” os nervos sensoriais. O paciente perde a sensibilidade protetora e não percebe pequenos traumas, como uma pedra no sapato ou um calo que começa a inflamar.
Características Principais:
- Localização: Geralmente na planta do pé (pontos de apoio) ou sobre proeminências ósseas.
- Aparência: Frequentemente cercada por uma borda de calo espesso (hiperceratose).
- Temperatura: O pé costuma estar quente, pois a circulação ainda está preservada.
- Dor: Indolor ou com dor mínima, o que leva o paciente a demorar a buscar ajuda.
Úlcera Isquêmica: O sinal da má circulação
Diferente da neuropática, a úlcera isquêmica é causada pela Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP). Aqui, o sangue rico em oxigênio simplesmente não consegue chegar às extremidades. Sem oxigênio, as células morrem, gerando feridas que evoluem rapidamente para necrose (gangrena).
Características Principais:
- Localização: Pontas dos dedos, bordas laterais do pé ou calcanhar.
- Aparência: Bordas “em saca-bocado” (bem definidas), fundo pálido ou escuro, sem calosidades ao redor.
- Temperatura: O pé é frio e, muitas vezes, apresenta uma coloração pálida ou arroxeada.
- Dor: Pode ser extremamente dolorosa, especialmente ao elevar as pernas.
Úlcera Neuroisquêmica: O maior desafio clínico
Em muitos casos avançados, o paciente apresenta a úlcera neuroisquêmica. É a combinação perigosa: o sangue não chega bem (isquemia) e o paciente não sente dor (neuropatia). Esta combinação mascara a gravidade da lesão, fazendo com que uma pequena mancha escura evolua para uma infecção profunda sem que o paciente perceba o perigo.
Tabela: Como identificar a sua ferida
| Característica | Úlcera Neuropática | Úlcera Isquêmica |
|---|---|---|
| Dor | Ausente ou Mínima | Intensa (piora ao deitar) |
| Pulso Arterial | Presente e forte | Ausente ou muito fraco |
| Bordas | Com calo (grossas) | Sem calo (lisas) |
| Localização | Planta do pé | Pontas dos dedos/bordas |
| Aspecto do pé | Quente e seco | Frio, pálido e sem pelos |
Exames para diferenciar os tipos de úlcera
O diagnóstico correto é feito através de exames que medem a integridade dos nervos e o fluxo das artérias. Os principais são:
- Teste do Monofilamento: Um fio de nylon pressionado no pé para testar a sensibilidade.
- ITB (Índice Tornozelo-Braquial): Mede a pressão arterial no pé comparada ao braço. Se for baixa, indica isquemia.
- Eco-Doppler Vascular: Ultrassom que visualiza o fluxo de sangue e identifica obstruções arteriais. Saiba mais em nosso cluster sobre sinais de infecção e gravidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual tipo de úlcera é mais perigoso?
Ambas são graves, mas a úlcera isquêmica e a neuroisquêmica têm um risco maior de evolução para gangrena e amputação, pois o corpo não consegue enviar antibióticos ou nutrientes para a ferida através do sangue obstruído.
2. Ferida com calo em volta é sempre neuropática?
Geralmente sim. O calo indica que existe pressão excessiva naquele ponto. Se o paciente não sente o calo machucar, ele acaba virando uma úlcera por baixo da pele grossa.
3. Por que meu pé está frio e a ferida está preta?
Isso é um sinal de isquemia crítica. A cor preta é tecido morto (necrose). Nestes casos, o tratamento de limpeza e desbridamento deve ser imediato para tentar salvar o pé.
4. Diabético pode ter ferida causada por sapato?
Sim, é uma causa comum de úlcera neuropática. Como o paciente não sente o aperto do sapato, a fricção cria uma bolha que vira uma úlcera profunda sem sinal de dor.
5. O tratamento muda se a úlcera for isquêmica?
Sim. Na úlcera isquêmica, a prioridade absoluta é restaurar o sangue (revascularização). Sem sangue novo, nenhum curativo do mundo conseguirá fechar a ferida.
Referências
- Society for Vascular Surgery. Clinical Practice Guidelines for Management of Diabetic Foot.
- International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF). Definitions and Criteria for Diabetic Foot Disease.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV). Manual de Isquemia Crítica de Membros Inferiores.
- Journal of Foot and Ankle Research. Neuropathic vs Ischemic Ulcers: Diagnostic Criteria.

